sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Milonga do Índio véio

Deitei o olho na campina em flor
Gemia um vento, balançando a dor
Batia forte neste peito meu
Que abriga dentro um coração ateu

Longe ia o sol, que tão longe sumia
E a lua prateando no céu se despia
A viola chorava e a gaita se ria
Corda e fole em bela parceria

Parece que não foi nada
Mas nada é o que parece
Quem espera sempre alcança
E eu esperei feito criança

Bebi do amargo como fosse cana
Aprumei o pala e me fui a campo
Sem arreio, meio ao deus-dará
Cruza de índio que não se deixa laçar

Mal-me-quer, o campo em flor
Minuano a balançar
O meu pala é o cobertor
Lembrança a me acompanhar

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