Noite sem fim
Mais um navio
Um oceano de sal
Sal da lágrima
Seriam negras as lágrimas que corriam
pelas faces negras?
Ardendo na pele, nas feridas sangrentas
Seria negro o sangue vermelho do negro?
Os lombos negros se esfolando no chão duro
Chão do porão, do porão do navio
Do navio negreiro
E o navio era do branco
As correntes cortando a carne negra
Carne a ser leiloada
Logo após a chegada
Beiços grandes, braços fortes
Dentes brancos, ancas largas
Tudo a ser examinado
Assim que chegasse ao destino
E o destino
Este já fora traçado
Colher a cana, trançar a palha
Deitar com a índia, dormir com a branca
Servir o branco e parir seus filhos
Enegrecer
Viva a África que vive
Dentro de todos nós (20/11/2014)
Escrevo porque gosto, porque sinto, porque invento, escrevo o que penso e o que digo sem pensar
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
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